Especialista chama atenção para prevenção do câncer de cabeça e pescoço

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) dão conta de que, no Brasil, o câncer de boca, laringe e demais regiões é, atualmente, o segundo tipo mais frequente entre os homens, ficando atrás apenas do câncer de próstata. Os casos chegam a matar cerca de dez mil pessoas por ano no País e a falta de informações e políticas públicas para prevenção da doença contribuem para o diagnóstico tardio.

Criado em 2014, o movimento mundial Julho Verde tem justamente o objetivo de orientar sobre a prevenção, o diagnóstico e o tratamento desses tipos de câncer – como o de boca e de laringe – que se encaixam nas modalidades de tumores de cabeça e pescoço. A ideia é que todos os anos sejam realizadas atividades de conscientização durante o mês de julho, culminando no dia 27, que foi estabelecido como Dia Mundial de Conscientização e Combate ao Câncer de Cabeça e Pescoço.

Especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, o médico Rafael Susin, que atua há 12 anos no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), explica quais tipos de enfermidade se enquadram na especialidade de Cirurgia de Cabeça e Pescoço. “São tumores benignos e malignos que acometem a região da face, as fossas nasais, os seios paranasais, a boca, a faringe, a laringe, a tireoide, as glândulas salivares, os tecidos moles do pescoço e da paratireoide e o couro cabeludo”, esclarece, ressaltando que a área de trabalho do cirurgião de cabeça e pescoço não abrange os tumores ou doenças do cérebro e de outras áreas do sistema nervoso central e da coluna cervical.

O profissional, que atende em ambulatório específico para casos de Cirurgia de Cabeça e Pescoço no HU-UFGD, afirma que o maior número de ocorrências se refere a tumores na tireoide, seguidos pelos cânceres de boca e de laringe. “Motivo pelo qual, em 2018, o foco da campanha Julho Verde é a prevenção e o diagnóstico eficaz desses tumores”, diz.

Boca a boca

Todos os meses no HU-UFGD, o médico atende 40 pacientes no ambulatório e realiza cerca de 20 cirurgias. Ele expõe que os casos de câncer da orofaringe (parte da garganta logo atrás da boca que inclui a base da língua, o palato mole, as amígdalas e a parte lateral e posterior da garganta) têm aumentado significativamente e que o principal agente causador é a infecção pelo papilomavírus, mais conhecido por HPV.

Além do vírus, o consumo de cigarro e de bebidas alcoólicas em excesso, associados a má higiene bucal podem causar a incidência de tumores, sendo que o perfil dos pacientes têm mudado e pessoas cada vez mais jovens apresentam a doença, que também acomete laringe e faringe.

A prevenção é simples: não fumar, evitar bebidas alcoólicas em excesso, eliminar fatores traumáticos na boca (como prótese mal adaptada, dentes tortos, cáries e restos dentários), alimentar-se de forma saudável e evitar a prática de sexo oral em pessoas com múltiplos parceiros e sem proteção.

Diagnóstico, sintomas e tratamento

Quando se pensa em tratamento e cura, de acordo com Rafael, é importante levar em consideração a região em que a doença se instalou, a idade do paciente e o estágio do câncer. Portanto, quanto mais cedo o diagnóstico for feito, mais chances de o tratamento se mostrar resolutivo. “Se o diagnóstico for feito tardiamente, o índice de cura diminui e complicações podem aparecer mesmo depois de a doença ter sido tratada”, avalia.

A população deve ficar atenta aos sinais que indicam a necessidade de investigação médica: lesões na cavidade oral ou nos lábios que, por mais de 15 dias não cicatrizaram, manchas/placas vermelhas ou esbranquiçadas na língua, nas gengivas, no palato (céu da boca) ou na mucosa jugal (bochecha), nódulos (caroços) no pescoço, rouquidão persistente e, nos casos mais avançados, dificuldade para mastigar e engolir, impedimentos para falar e sensação de que há algo preso na garganta.

O diagnóstico é feito por meio de exame meticuloso de toda a cavidade bucal e, se necessário, endoscopia e videolaringoscopia, a fim de avaliar o tamanho do tumor ou a presença de um segundo tumor primário. Atualmente, medicamentos promissores têm conseguido aumentar as chances de cura dos pacientes, com ação mais eficiente e menos agressiva ao organismo.