Derrubando Idéias, por Antonio Brazão

Eu e minha mãe compartilhávamos de uma mesma idéia: o câncer não tem cura. Você pode até dizer que está curado, mas ele um dia vai voltar. Acho que foi para provar isso, pelo menos para mim, que em junho de 2003 recebi a notícia que estava com câncer. Como não poderia ser diferente, o chão da nossa família se abriu.

Depois dessa notícia, coloquei na minha cabeça o seguinte: Se o câncer não tem cura igual eu pensava, vou ter que provar pra mim mesmo que ele tem cura e terei que provar para minha mãe também. Confesso que chorei antes de ir para a mesa de cirurgia para a biópsia para ver se realmente estava com câncer. Minha mãe chegou perto de mim e escondi que chorava. Prometi que só voltaria a chorar quando estivesse curado, mas choraria de alegria.

Para um melhor atendimento, tive que mudar de cidade, saímos de Guaxupé, no interior de Minas Gerais e fomos para Campinas, em São Paulo. A mudança de cidade não foi fácil. Largar a escola no meio do ano. Deixar para trás meu pai e minha irmã. Mudar de uma cidade de quase 50 mil habitantes para uma de 1 milhão era uma mudança e tanto. Não posso reclamar de nenhum familiar meu nenhum amigo, todos, repito TODOS eles estavam comigo.

Eu nunca vi Deus, mas já vi seus anjos. Anjos esses que ele colocou na minha vida. Vou citar o nome de alguns aqui, mas já peço desculpas se esqueci de algum, mas esses não podem ficar de fora. Dr. Edvaldo Silva, de Guaxupé, que foi meu pediatra desde pequeno e que depois virou meu padrinho de crisma. Dr. Marcelo Rizzati e toda sua equipe, Dra. Gisele, Dr. Márcio, todos eles do Centro Boldrini.

O tratamento, lógico, não foi fácil. Depois da primeira quimioterapia, os primeiros cabelos começam a cair e, na minha cama antes de dormir, descumpri minha promessa e uma lágrima correu pelo meu rosto. Logo limpei e, no outro dia, raspei o cabelo e reforcei a promessa: só chorar quando estiver curado e de alegria.

O destino, se é que existe destino, nos prega cada peça. Numa sexta-feira, antes de ir para Campinas para mais uma sessão de quimioterapia, passei na casa de minha avó, pois ela não passara bem no dia anterior. Nem entrei para vê-la, minha mãe que foi ver como estava. Fomos para Campinas para uma longa sessão de quimioterapia que durariam seis horas. Na consulta antes da sessão, o médico disse que aquele dia eu estava liberado da quimioterapia, que uma mudança no cronograma me liberaria da quimioterapia aquela sexta e era para eu voltar na próxima semana. Achamos estranho, mas não reclamamos e retornamos para Guaxupé. Ao chegar, descobrimos que minha avó estava internada. Chegamos justamente na hora de visitas, minha mãe foi visitá-la e minha avó disse a ela: “Ele está curado”. Depois disso, à noite, ela vai para a UTI, não resiste e na noite de 23 de setembro de 2003, minha avó desencarna. Minha mãe costumava dizer que ela tinha dois medos: um filho ter câncer e a mãe dela morrer. As duas coisas aconteceram ao mesmo tempo. Eu tive que ser forte na frente de minha mãe. Se eu desabasse, eu levaria junto comigo ela, meu pai e minha irmã. Na cama à noite eu desabei sozinho. Chorei novamente, mas dessa vez não era por causa da doença. Isso aconteceu na sexta, no sábado foi o sepultamento, no domingo, acordo meio indisposto e faço em Guaxupé mesmo um exame de resistência. Quando estávamos no almoço, Dr. Edvaldo chega dizendo que tenho que ir para Campinas porque foi detectado um problema no meu hemograma. Fizemos mala para um mês. Não sabíamos quanto tempo ficaríamos em Campinas. A revolta tomou conta de minha mãe. Ela tinha acabado de enterrar a mãe e uma infecção no filho e tudo isso um dia após o outro. Meu pai fala para minha mãe ir conversar com a mãe que não tinha ido embora: Nossa Senhora Aparecida. Minha mãe contava que ali ela teve uma conversa com a mãe de Cristo. Ela não rezou. Ela pediu, suplicou, interrogou, ordenou, fez de tudo. Quando chegamos a Campinas, faço outro exame e a médica vem com o resultado: algum engano deve ter ocorrido, não tinha nenhum problema, nenhuma infecção, resistência alta, tudo normal. A única explicação que tenho para esse evento é que eu fui obra de um milagre. Não tenho nenhuma outra explicação.

Perder minha avó não foi fácil para ninguém, mas tinha que levantar a cabeça. Eu tinha que ser mais forte que toda minha família. Eu não poderia desabar. Com o fim das quimioterapias, o cabelo foi voltando a crescer. A radioterapia foi feita e em janeiro de 2004, eu saía de tratamento oficialmente. Foram sete meses de sessões de quimioterapia e radioterapia.

Cinco anos após o término do tratamento. Meu médico disse que eu estava curado. Pronto, eu consegui provar para mim mesmo que o câncer tem sim cura. Na sala do médico estávamos somente eu e meu pai. Minha mãe não aguentou chegar nesse dia, em 2007 um AVC leva minha mãe para junto de minha avó. Mas eu tenho certeza que de onde ela estivesse ela estava vendo que eu também tinha provado para ela que o câncer tem cura. Eu costumo dizer que podem ter pai, mãe, irmã, avós, tios até iguais, mas melhores que os meus ainda está para nascer.

Hoje em dia eu falo com a maior tranqüilidade que tive câncer. Encho a boca para falar EU TIVE CÂNCER. Muitos ficam impressionados com a naturalidade que falo. Muitas pessoas não falam nem a palavra eu falo CÂNCER, e completo:

O CÂNCER TEM CURA, EU SOU A PROVA DISSO.

Essa foi minha história de sucesso contra o câncer.
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